AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Olá meus caros amigos e amigas, dando sequência a série de dicas sobre livros, principalmente os da área de história econômica e política no âmbito das ciências sociais, um grande clássico que não pode deixar passar é "As veias abertas da América Latina" do jornalista Uruguaio Eduardo Galeano. O livro faz um apanhado histórico da formação econômica dos países da América Latina. Sob um olhar da esquerda latina americana, o livro trás uma crítica sucinta ao neoliberalismo e a fase imperialista do capitalismo. Autor explana o processo de colonização da América Hispânica e coloca pontos importantes da colonização portuguesa no Brasil, após esse traçado histórico econômico do período de colonizaçao da América Latina, Eduardo Galeano deixa claro que nas fases posteriores foi díficil para os países latinos americanos conquistarem uma autonomia política no cenário do mercado mundial e o fortalecimento de um mercado interno, explica que no princípio os países latinos americanos foram muito dependentes da Europa e posteriormente dos EUA. Alguns pontos são cruciais para o entendimento de uma tardia industrialização de massa nesses países, é nesse período colonial e depois em um período de protecionismo econômico que deram os nortes da industrialização desses países (chamados hoje de "paises subdenvolvidos"), onde ocasionaram enormes dificuldades a serem enfrentadas por vários séculos a frente. O autor também aborda sobre as ditaduras militares instaladas nos paises latinos, muito claro e explicativo, mostra como o modelo econômico desses países foram pautados nos interesses econômico da expansão da burguesia norte americana, diante disso, qual foi o papel dos governos dos EUA com América Latina, descrevendo um processo de uma exacerbada exploração e intervecionismo político. Façam uma boa leitura!

Política e Estado em Marx (Estrutura e Superestrutura)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Para o esclarecimento da negatividade de política e Estado no pensamento de Marx, é preciso compreender alguns conceitos básicos a respeito da teoria marxiana, entre alguns de suma importância estão à estrutura e superestrutura.

“Na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral”. (MARX, 1859: Prefácio à Contribuição à Crítica da Economia Política).


A estrutura corresponde as (forças produtivas e relações sociais de produção) que constituem a base econômica, sendo um fator determinante para a produção da vida social no qual Marx nomeia de superestrutura – ideologia, Estado, política, religião, jurisprudência, instituições e outras várias instâncias que compõem a organização social. A figura mostra essa esquematização.


Formação Econômica do Brasil

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Para quem tem interesse em estudar/pesquisar contextos referentes a formação econômica do Brasil, sugiro um clássico, um grande legado deixado por Celso Furtado, sua grande obra "Formação Econômica do Brasil". Analisando a conjutura política, social e econômica do Nordeste colonial alguns pontos destacados facilitará o seu entendimento acerca desse complexo econômico colonial nordestino, seu êxito e declínio. Destacamos:

1. Da expansão comercial á empresa agrícola

Descobrimento das terras da América;
Ameaça de invasões por outras nações;
Ocupação das novas terras (Brasil) pelo domínio de Portugal;

2. Fatores de êxito da empresa agrícola

Conhecimento de técnicas do cultivo do açucar;
Mercado da mão-de-obra escrava;
Expansão do mercado;

3. Razões do monopólio

Aumento do poder econômico da Espanha;
Inflação devido ao grande afluxo de metais (Europa);
Decadência da economia espanhola;

4. Desarticulação do sistema

Conflito entre Holanda e Espanha;
Produção açucareira na região do Caribe pelos holandeses;
Queda vertiginosa do preço do açúcar;

5. Conseqüências da penetração do açúcar nas Antilhas

Decadência do sistema de colônias de povoamento nas Antilhas devido a produção do açúcar;
Capital holandês nas colônias de povoamento;
Economia auto-suficiente na América do norte;

6. Capitalização e nível de renda na colônia açucareira

Ampliação da mão-de-obra escrava;
Concentração da renda na classe dos proprietários de engenhos (90%);
Grande quantidade de transferência da renda da colônia para o exterior;

7. Fluxo de renda e crescimento

Baixíssimo fluxo de renda;
A produção dependia do mercado externo;

8. Projeção da economia açucareira: a pecuária

Evitar o surgimento de qualquer atividade econômica na colônia a fim de evitar a concorrência com a metrópole;
Ocupação das terras do interior devido atividade criatória de gado;
Atividade criatória de gado se classificava com uma atividade apenas de subsistência, subordinada a economia açucareira;

9. Formação do complexo econômico nordestino

Redução da renda real;
Custo do transporte do gado;
O couro passou a ser a única fonte de renda monetária destes últimos criadores;